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Eu, Christiane F., 13 anos

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída, cujo filme (que no original acho se chama Estação Zoo) é muito mais conhecido do que seu precursor. No entanto, ambas as histórias são muito próximas da desgraçada juventude de Christiane nas ruas de Berlim.

Baseado (trocadilho não intencional) na história verdadeira de Vera Christiane Felscherinow, o livro narra o caminho sem volta ao mundo das drogas, começando com o porre no fim de semana e avançando até alcançar o fundo do poço ,no caso dela a heroína e a prostituição. Na ocasião de seu julgamento, os dois sacanas ali no alto (Kai Hermann e Horst Hieck) entrevistaram a menina com 16 anos e publicaram seus relatos na revista Stern, em 1979. Foi tudo tão chocante que a história virou livro e filme lançado em 1981.

É o tipo de livro que vou um dia entregar ao meu filho adolescente. Ele mostra como é tênue a linha que separa uma criança comum de um drogado viciado, o quanto é importante o apoio da família e do ambiente que nos cerca na formação do indivíduo (e também me lembra certos porres da minha época). Leitura recomendada mesmo. Lição de vida.

A sim, só pra avisar: a dona Vera continua viva, está um bagaço, sem dinheiro nenhum e ainda se droga.


Os Sete Minutos

seteOs Sete Minutos trata diretamente da censura e da liberdade de expressão, usando para isso a condenação e julgamento de um livro fictício dentro da própria obra, também denominado Os Sete Minutos. Citando uma frase do próprio texto:

“Descrever um assassinato não é crime. Cometer um assassinato é. Fazer sexo não é crime. Descrever o sexo é.”

A trama em si gira em torno da prisão de Ben Fremont , um livreiro acusado de vender material obsceno, no caso o livro Sete Minutos, de J J Jadaway, considerado pela Igreja Católica e os sensores da década de 30 como o mais pornográfico e pervertido livro já escrito. Para defendê-lo, entra na roda o advogado Michael Barrett, secundado pelo seu sócio Abe Zelkin. Sua missão: provar que o livro não é nada do que a censura prega. Contra ele está o promotor público Elmo Duncan, apadrinhado pelas maiores companhias de comunicação do estado, que querem fazer dele um novo senador dos EUA.

Como agravante, Jerry Grifft, o filho de um conhecido herói local, se envolve em um crime de estupro e põe a culpa no livro pornográfico que havia lido recentemente. Adivinhem de que se trata. Sim, o próprio Sete minutos. A obra fictícia de Jadaway que relata os pensamentos de uma mulher durante os sete minutos de uma relação sexual. Cada capítulo corresponde a um minuto do ato. Durante a obra, em pleno êxtase, a protagonista imagina-se transando com figuras ilustres, inclusive o filho de Deus e Lincoln. Aos mais animados, essas cenas não estão descritas no livro em si, apenas citadas durante seu julgamento.

Mas engana-se quem acha que os Sete Minutos é um livro apenas sobre sexo, jurisprudência e advogados inteligentes. É antes de tudo, um livro sobre a liberdade de expressar-se. O autor, Irwin Wallace, coloca claramente sua opinião sobre a censura burra e puritana que imperava nos EUA na época, e que lentamente está assombrando nossa propaganda e mídia nos dias de hoje, aqui no Brasil.

É impossível ler e não se indignar quanto as atitudes tomadas pela mídia em favor da acusação, as inúmeras boas provas que se perdem por cobiça e corrupção dos envolvidos no julgamento, e com o pré-conceito que todos carregam quando o tema exposto está além do conveniente. Se tiverem chance de correr os olhos sobre essa obra, agarrem. Respirem fundo e mergulhem no mundo sórdido de os Sete Minutos.


Um Estranho no Espelho

espelhoDos poucos livros que já li do velho Sheldon, esse é um dos melhores, e sem dúvida é o que me causou maior impacto. Um Estranho no Espelho lida não apenas com a vaidade e o ego inflamado dos envolvidos com o mercado de filmes mais rico do mundo. Ele lida com o quanto estamos dispostos a sacrificar em busca do que queremos. Para o bem ou para o mal.

A história gira em torno de duas personagens, Toby Temple, um estereótipo de ator de Holliwood que vive em festas se aproveitando de jovens atrizes sonhadoras e Jill Castle, uma destas sonhadoras que deseja se tornar uma estrela de cinema, mas descobre que para subir na carreira você precisa não apenas de talento, e sim usar todas as suas cartas.

Como de costume nos livros de Sidney, a mulher frágil acaba dando a volta por cima, mas com um final surpreendente. É uma história que dá raiva no leitor em vários dos momentos, conforme Jill vai sofrendo novas humilhações com o passar dos anos, sempre apanhando e sempre estando disposta a dar a volta por cima para dar o troco um dia. Mas ainda assim, uma ótima história.


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