Se por um lado, O Vencedor Está Só foge um pouco do padrão dos livros do velho Paulo, ele ainda segue a mesma fórmula “Wikipédia” dos últimos, com aquela pesquisa superficial só para não dizer que escreveu tudo no chute. Mais da metade das passagens são explicações sobre detalhes que não são necessários para o enredo, transformando o livro num conto de vinte páginas, com um catálogo de itens diversos nas outras trezentas e tantas. Aliás, com uma fonte um pouco menor, duvído que teriamos cem laudas de texto.
A história lembra um pouco outras já contadas pelo autor no que diz respeito a idéia geral (mulher foi embora, o cara vai atrás), mas com uma mistura de Seriado de Suspense dos anos 80. Toda a história se passa em menos de vinte e quatro horas, durante o Festival de Cinema de Cannes, falando em como a vida de “rico e famoso” é fútil e sem graça. Pode ter sido impressão minha, mas algumas vezes me parece que o livro todo foi um tipo de desabafo devido ao rolo com a suposta adaptação de O Alquimista para o cinema.
No meio disso tudo surgem às já famosas lições de vida que colocam Paulo Coelho migrando entre as prateleiras de Romances e Auto-Ajuda. Não é a pior coisa que se possa ler, mas também não é realmente necessário. Caso tenham um dia ou dois sem nada de bom para correr os olhos, pode servir como passatempo.
Muito melhor do que o último, mas ainda não traz aquela novidade que a gente espera de um livro, ou pelo menos de um autor que vende tanto. Em A Bruxa de Portobello, Paulo Coelho reuniu dezenas de depoimentos sobre uma mulher conhecida como Athena, que teria se tornado “A Bruxa de Portobello”. Citando um resumo:
Sabe aquela sensação de ja ter lido tudo aquilo que está escrito num livro em outro lugar, seja na internet ou em outras obras do próprio autor? Pois é, O Zahir é isso.


