Arquivo da tag: Paulo Coelho

O Vencedor Está Só

vencedorSe por um lado, O Vencedor Está Só foge um pouco do padrão dos livros do velho Paulo, ele ainda segue a mesma fórmula “Wikipédia” dos últimos, com aquela pesquisa superficial só para não dizer que escreveu tudo no chute. Mais da metade das passagens são explicações sobre detalhes que não são necessários para o enredo, transformando o livro num conto de vinte páginas, com um catálogo de itens diversos nas outras trezentas e tantas. Aliás, com uma fonte um pouco menor, duvído que teriamos cem laudas de texto.

A história lembra um pouco outras já contadas pelo autor no que diz respeito a idéia geral (mulher foi embora, o cara vai atrás), mas com uma mistura de Seriado de Suspense dos anos 80. Toda a história se passa em menos de vinte e quatro horas, durante o Festival de Cinema de Cannes, falando em como a vida de “rico e famoso” é fútil e sem graça. Pode ter sido impressão minha, mas algumas vezes me parece que o livro todo foi um tipo de desabafo devido ao rolo com a suposta adaptação de O Alquimista para o cinema.

No meio disso tudo surgem às já famosas lições de vida que colocam Paulo Coelho migrando entre as prateleiras de Romances e Auto-Ajuda. Não é a pior coisa que se possa ler, mas também não é realmente necessário. Caso tenham um dia ou dois sem nada de bom para correr os olhos, pode servir como passatempo.


A Bruxa de Portobello

bruxaMuito melhor do que o último, mas ainda não traz aquela novidade que a gente espera de um livro, ou pelo menos de um autor que vende tanto. Em A Bruxa de Portobello, Paulo Coelho reuniu dezenas de depoimentos sobre uma mulher conhecida como Athena, que teria se tornado “A Bruxa de Portobello”. Citando um resumo:

Menina orfã abandonada pela mãe cigana na Transilvânia e adotada por emigrantes libaneses na Inglaterra. Já adulta, ela trabalha como bancária e vendedora de terrenos em Dubai até se transformar numa sacerdotisa em Portobello Road, rua do bairro de Notting Hill, em Londres. O enredo é construído dentro do tempo cronológico de 21 anos, entre 1973 e 1994 – período que se passa a história.

Ou seja, é meio que mais do mesmo. Narrando de que forma Athena é colocada diante dos “segredos da Mãe”, a forma como foi discriminada pela Igreja Católica, os malogros pelos quais passou até aprender o caminho para ser feliz. É meio que um livro de auto-ajuda misturado com misticismo, mas nem por isso é uma leitura de toda perdida.

Volta e meia se tira algo de bom, além de realmente fazer bem ouvir umas palavras de otimismo as vezes.


O Zahir

o_zahir_1228243627pSabe aquela sensação de ja ter lido tudo aquilo que está escrito num livro em outro lugar, seja na internet ou em outras obras do próprio autor? Pois é, O Zahir é isso.

Embasado em uma crença islâmica, o zahir seria uma idéia que nos corrompe, que se torna compulsiva a tal ponto de nos tomar toda a nossa vida, estando o tempo todo com o pensamento completamente voltado para isto. No livro, alguém que subentende-se ser o próprio Paulo Coelho (ele não cita o próprio nome nem uma vez, mas conta coisas públicas de sua vida como escritor) foi pénabundeado pela esposa que se vai sem dizer nada.

E com isso, ela se torna um zahir para o próprio. A idéia é boa, mas…

Sempre ouvi criticas sobre o Don Paulete (como Raul Seixas se refere a ele em uma de suas músicas) escrever mal, mas nunca achei nada tãao visível quanto neste último livro. Algumas vezes eu precisei retornar uma ou duas páginas para saber quem estava falando, além de alguns assuntos serem tratados meio que de sopetão na minha opinião.

Não que o livro seja realmente ruim ( li ele quase que sem parar ) mas fica aquela sensação de “pesquisei no google e colei aqui pra vocês” em boa parte da trama. O final é meio que chocante acho, e eu não sei como iria reagir se fosse comigo (bem, o tipo de relacionamento que ele descreve no livro é totalmente antagonico ao que eu vejo como sendo um casal, mas vamos lá, eu sou um caipira)

Aos que já leram, estou errado?


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.