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O Terceiro Deus

O livro que encerra a já denominada “Trilogia Tormenta” por ter mudado completamente não apenas a geografia e muito do que se sabia sobre Arton, mas principalmente por mudar a maneira das pessoas encararem o cenário de Tormenta. Leonel Caldela fecha a história iniciada há muito tempo atrás em O Inimigo do Mundo com o épico O Terceiro Deus.

A história gira em torno do resgate do filho do protagonista que nos foi apresentado no volume anterior (O Crânio e o Corvo), sir Orion Drake. O rebento está nas mãos do maior assassino de aluguel da história deste mundo, conhecido pela alcunha de Crânio Negro, que está as voltas com os Lordes da Tormenta, demônios de uma dimensão paralela que desejam obliterar o universo artoniano.

Cada vez mais a Tormenta deixa marcas através do continente, e Orion resolve que deve enfim enfrentar definitivamente o inimigo em seu próprio território. Após uma campanha de alistamento de deuses através do mundo, o exército divino marcha em direção a Tamura, o primeiro reino engolido pela Tormenta há mais de dez anos. E é lá que o Terceiro Deus que dá nome ao livro desperta enfim.

Uma coisa que eu fiquei particularmente em dúvida é o quanto alguns destes fatos possam impactar um leitor casual que não conheça Arton há quase dez anos como eu conheço. Será que encontrar-se com Arsenal ou com Vectorius é igualmente interessante para alguém que não sabe nem de longe o que é RPG? É uma dúvida que me acompanhou ao longo de todos os livros da Trilogia.

Aliás, no fim das contas, o próprio Terceiro muito pouco faz diretamente para a trama, apesar de constantemente fulgurar nos bastidores. Não achei o livro tão bacana como seu antecessor, mas sem dúvida é um ótimo livro com personagens marcantes e histórias cativantes inseridas no transcorrer das seissentas e tantas páginas. Fechamento perfeito para uma das mais bacanas ( e se não a maior de todas) trilogias épicas já contadas em língua portuguesa.

Parabéns ao Leonel Caldela pelo feito.


O Crânio e o Corvo

O Crânio e o CorvoSegundo livro da Trilogia Tormenta, e na minha humilde opinião de resenhista e fã do cenário, o melhor dentre os três livros com folga, o Crânio e o Corvo nos apresenta os heróis que irão efevitamente enfrentar a Tormenta que chegou ao mundo de Arton no final do primeiro livro, o Inimigo do Mundo.

Aqui aprendemos que a Tormenta é uma tempestade mística que regurgita demônios de uma realidade paralela sobre um mundo medieval chamado Arton. Esta tempestade é governada por criaturas de poder imensurável chamadas simplesmente de Lordes, cujo objetivo é transformar tudo em lefeu – a substância do qual os próprios Lordes são feitos e que consumiu seu plano de origem por completo. Lá, desde a água até o tempo, tudo é lefeu. E eles querem fazer o mesmo aqui.

Mas Arton é um mundo de heróis, e eles irão se erguer para lutar pelo seu mundo. Neste livro somos apresentados à algumas figuras tarimbadas que marcarão forte presença no encerramento da história, como o guerreiro chato de tão nobre Orion Drake, sua esposa de sangue quente Vanessa e o anão pistoleiro, Ingram.

A escrita do autor, o gaúcho Leonel Caldela, continua carregada de ritmo e prosa, numa estranha combinação que as vezes soam estranhas a quem não conhece seu estilo, mas que logo forçam as páginas a voarem em suas mãos. O mundo é descrito de tal forma que muito mais do que apenas mostrar Arton, Caldela reescreveu o cenário. Transformando-o em alvo vivo, palpável e cruel.

As quinhentas e tantas páginas foram poucas para a quantidade de boas histórias inclusas neste tomo, e infelizmente, foi o gosto de quero mais que tornou o final um pouco inconclusivo, deixando perguntas e pontas soltas demais para serem respondidas no próximo e último livro da série, o Terceiro Deus.


O Inimigo do Mundo

inimigoEste livro é um marco por vários motivos. Em O Inimigo do Mundo, o estreante Leonel Caldela eliminou em parte a visão “mangateísta” de Tormenta que o autor Marcelo Cassaro conseguiu de forma tão eficiente enraizar na mente dos pobres mortais que o acompanharam, fazendo com que qualquer coisa por lá seja invariavelmente vista como cômica.

Bem, o Inimigo em geral não é engraçado. Nove heróis (as vezes mais, as vezes menos) viajam o mundo de Arton caçando um criminoso que possui a singela alcunha de Albino (pelo motivo singelo de ser um gigante de pele branca, olhos vermelhos e cabelos brancos). O fato do vilão ser muito semelhante ao de um certo best seller foi mera coincidência mesmo ;)

Nessa viagem, acabamos conhecendo os dramas e alegrias (muito mais dramas, na verdade) que permeiam a vida dos personagens. Um ponto importante: várias vezes durante a história você fica furioso ou sorri diante de algumas situações pelos quais eles passam, especialmente, é dificil não ficar furioso e com pena de Rufus Domat.

Outro ponto que foi muito bem trabalhado é a visão dos deuses diante do que seria a Tormenta futuramente, suas intrincadas tramas e tramóias, apesar de que, em certos momentos, alguns dos deuses são apenas burros (Khalmyr mais do que todos), ou agem de forma digna de serem humilhados pelo protagonista, Vallen Allond.

Resumindo: Adorei a história, a forma como foi contada, e alguns detalhes épicos da vida cotidiana como heróis andando de mãos dadas, ou amando. Isso é raro de se encontrar com qualidade em uma aventura medieval fantástica. Cenas simples como a de Ellisa sentando na cama de Irryna e ajeitando os cabelos atrás da orelha mostram a visão descritiva e detalhista do autor, que apreciei bastante.

No princípio alguns detalhes com a forma que o autor escreve me incomodaram um pouco (como explicar ou adicionar detalhes entre parenteses no meio do texto), alguns detalhes meio “Comichão e Cossadinha” com tripas voando, crânios com coisas moles escorrendo e essas coisas, ou ainda a repetição desnecessária de palavras para dar um tom “poético” que não era lá muito importante no momento.

Mas enfim, saldo super-positivo.

Vale a pena ler, e quem sabe até sentir uma pontada de saudade do cenário. Espero que outros como esse venham. Antes que Arton se acabe!


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