Muitos conhecem as lendas que permeiam a história de Artur, o cavaleiro bretão que; trazendo consigo Excalibur, a espada mágica provinda do Outro Mundo – expulsou os saxões da bretanha e firmou um império de paz em plena idade das trevas. Também é de conhecimento geral que toda essa história pode ter realmente ocorrido como talvez nem mesmo um guerreiro chamado Artur tenha existido algum dia.
Porém, das muitas encarnações desta história, Bernard Cornwell nos trouxe, sem dúvida de erro, a mais verídica. Em O Rei do Inverno, somos apresentados a uma Bretanha superticiosa, mergulhada em guerra civil, sofrendo com doenças e com a ignorância do povo após o declínio do Império Romano que deixou para trás apenas suas ruínas e a tecnologia bélica da parede de escudos. E por detrás destas é que Artur se ergue.
Apesar de alguns anacronismos (dos quais o autor se desculpou, caso contrário eu sequer teria notado) como a presença de Merlin e de Lancelot já nesta parte da história, ela é descrita de tal forma e com uma crueldade tão simplória que em alguns momentos você se sente em meio a turba, empurrando escudos e brandindo lanças contra o inimigo visivelmente superior em uma era de ignorância, medo e combates.
Talvez ele pareça um pouco forte para um leitor ávido por romances perfeitos e histórias bonitas, por que o que mais se encontra no transcorrer das páginas são sangue, suor e a devassidão de exércitos invadores que pilham, matam e estupram numa época em que o conceito do cristianismo ainda estava sendo difundido no coração de um povo fortemente pagão.
Um livro épico não apenas pelo seu teor mas pelo ritmo imposto pelo autor que nos leva de uma página para outra desejando conhecer um pouco mais sobre os lugares e pessoas daquela Bretanha há muito perdida. Personagens cuja força reside justamente em sua simplicidade, devoção e crença em seus deuses e na força de seus braços.
Não apenas recomendado, mas sim obrigatório.
Outro livro que resolvi adquirir apenas levando em conta o que me recordava do filme que assisti há algum tempo, Memórias de uma Gueixa trata-se de um tipo de auto-biografia romanceada (e fictícia) de uma das últimas e mais caras gueixas “à moda antiga” do Japão, a japinha de olhos azuis Sayuri.
Uma oportunidade única de acabar com a Segunda Grande Guerra Mundial quase um ano antes do seu derradeiro fim, salvando desta forma milhões de vidas. O preço? Talvez a sua própria e a de seus familiares. Foi de certa forma esta a escolha que alguns conspiradores do alto escalão nazista assumiram quando começaram os planos que culminariam com a morte de Hitler e a tomada de poder de toda a Alemanha.
O Fim Justifica os Meios.
Antes de me ater ao livro falar um pouco de seu autor. Sven Hassel descreveu a Segunda Guerra Mundial de maneira crua e realista, com uma visão única de quem realmente presenciou os acontecimentos da década de 40. Não temos aqui um romance escrito sobre uma pesquisa histórica. Hassel viveu no front, ele foi a guerra. Ele era um nazista, foi um soldado do Exército Alemão a quem serviu no período de 1937 até o fim da guerra, em 45.


