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Os Sete Minutos

seteOs Sete Minutos trata diretamente da censura e da liberdade de expressão, usando para isso a condenação e julgamento de um livro fictício dentro da própria obra, também denominado Os Sete Minutos. Citando uma frase do próprio texto:

“Descrever um assassinato não é crime. Cometer um assassinato é. Fazer sexo não é crime. Descrever o sexo é.”

A trama em si gira em torno da prisão de Ben Fremont , um livreiro acusado de vender material obsceno, no caso o livro Sete Minutos, de J J Jadaway, considerado pela Igreja Católica e os sensores da década de 30 como o mais pornográfico e pervertido livro já escrito. Para defendê-lo, entra na roda o advogado Michael Barrett, secundado pelo seu sócio Abe Zelkin. Sua missão: provar que o livro não é nada do que a censura prega. Contra ele está o promotor público Elmo Duncan, apadrinhado pelas maiores companhias de comunicação do estado, que querem fazer dele um novo senador dos EUA.

Como agravante, Jerry Grifft, o filho de um conhecido herói local, se envolve em um crime de estupro e põe a culpa no livro pornográfico que havia lido recentemente. Adivinhem de que se trata. Sim, o próprio Sete minutos. A obra fictícia de Jadaway que relata os pensamentos de uma mulher durante os sete minutos de uma relação sexual. Cada capítulo corresponde a um minuto do ato. Durante a obra, em pleno êxtase, a protagonista imagina-se transando com figuras ilustres, inclusive o filho de Deus e Lincoln. Aos mais animados, essas cenas não estão descritas no livro em si, apenas citadas durante seu julgamento.

Mas engana-se quem acha que os Sete Minutos é um livro apenas sobre sexo, jurisprudência e advogados inteligentes. É antes de tudo, um livro sobre a liberdade de expressar-se. O autor, Irwin Wallace, coloca claramente sua opinião sobre a censura burra e puritana que imperava nos EUA na época, e que lentamente está assombrando nossa propaganda e mídia nos dias de hoje, aqui no Brasil.

É impossível ler e não se indignar quanto as atitudes tomadas pela mídia em favor da acusação, as inúmeras boas provas que se perdem por cobiça e corrupção dos envolvidos no julgamento, e com o pré-conceito que todos carregam quando o tema exposto está além do conveniente. Se tiverem chance de correr os olhos sobre essa obra, agarrem. Respirem fundo e mergulhem no mundo sórdido de os Sete Minutos.


A Intimação

intimacaoA Intimação é um livro diferente do primeiro tomo que li do autor, tanto pelo fato de ser uma história de ficção e não verídica, quanto pelo próprio esquema narrativo. Esse é um romance. Ainda com advogados e causas jurídicas, mas ainda assim um romance. E eita que história bem contada.

Ray Atle é professor de direito em uma conceituada universidade, divorciado ( a mulher o trocou por outro mais rico ) que tem como hobby pilotar aviões nos fins de semana, alugando um velho aparelho para umas voltas. Ele e o irmão mais novo – viciado em drogas desde a adolescência – tiveram atritos com o pai, o Juiz Atle de uma cidadezinha fim de mundo, e cada qual foi viver sua vida.

Em dado momento, Ray recebe uma carta do velho pai pedindo que ele e o irmão comparessam até Maple Run ( Maple Ruin, de acordo com o protagonista ), a casa onde viveram por parte de suas vidas. Esta, datilografada pois o velho juiz não gostava de modernismos, especificava diretamente do que se tratava. Ambos deveriam comparecer para acertar os detalhes legais do testamento do velho juiz.

Ray pede alguns dias de folga do trabalho, entra em seu carro esporte e dirige oitocentos quiômetros até o ponto de encontro. Lá chegando, dá de cara com uma cena inusitada. Seu velho pai, vestido, de banho tomado e barbeado está sentado no centro do escritório, morto. As mãos cruzadas diante do peito.

E, embaixo da estante, perfeitamente acomodados e intocados dentro de caixas de papel de carta, três milhões de dólares em notas de cem e um testamento dizendo que tudo o que ele possuia deveria ser repartido meio a meio entre os dois filhos. O detalhe: o único que sabe da fortuna é o próprio Ray.

Dali pra frente a história avança. E, como já disse, que história bem contada. A tentação de ficar com todo o dinheiro, o dilema de entregar ou não um milhão e meio de dólares para um irmão viciado e descontrolado e por fim: de onde diabos saiu a grana se o juiz valentão nunca havia aceito suborno, nunca havia declarado uma fortuna como aquela e que jamais em toda sua vida chegou perto de ganhar um terço daquela quantia.

Vão correndo ler!


O Advogado do Diabo

advogadoO Advogado do Diabo, escrito por Morris West,  narra as desventuras de Blaise Meredith, um sacerdote a serviço do Vaticano que descobre estar as portas da morte devido a um cancêr já avançado no intestino. Restando-lhe poucos meses de vida, e temeroso quanto a chegada de sua morte, Meredith é confrontado com dois problemas no minimo singulares: o primeiro é a constatação óbvia de que nunca amara ninguém em sua vida celibatária, nem mesmo a si próprio, os irmãos de fé ou a própria igreja. Apenas seguiu as normas impostas pelo catolicismo, tornando-se um dos maiores promotores da fé daquele tempo.

E isto levou a seu segundo problema. Como promotor de fé, caberia ele julgar se os candidatos a beatificação diante da Igreja Católica se tratavam mesmo de santos ou não eram apenas homens de boa índole, que inspiravam o povo. Julgar se um homem é santo ou não, era este o seu papel como Advogado do Diabo.

E agora, as portas da morte, confrontado com o caso do servo de Deus Giacomo Nerone, Meredith deve acompanhar a obscura morte de um homem há pouco mais de quinze anos, e reunir as provas que serão vitais no julgamento canônico que provavelmente não irá ocorrer nem nas próximas decadas.

A palpável miséria humana, o medo do desconhecido e os mistérios da vida após a morte são tratados no decorrer da trama, e Meredith descobre que até mesmo um velho padre morimbundo é capaz do bem e do mal, apenas pela força daquilo que ele crê, ou julga crer.

O livro é muito bom, tem um texto fluente apesar dos temas difíceis, e leva vantagem por tratar de um assunto que o autor, como ex-interno de um convento australiano (seu país natal) domina muito bem. O filme também é bastante interessante (não a versão mais recente com o Keanu, que só tem o mesmo nome =)


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